Panda - De onde vem o fenômeno sertanejo?
Para quem começou a acompanhar o sertanejo recentemente, Panda pode parecer um daqueles artistas que simplesmente surgiram do nada.
De repente, o nome está no topo do Spotify. As músicas aparecem entre as mais ouvidas do país. Os shows se multiplicam. O cantor chega a Barretos, um dos maiores palcos do gênero, como uma das grandes apostas da nova geração.
Mas a história de Panda começou muito antes de tudo isso.
Antes dos milhões de streams, existiram 16 anos de carreira.
Antes dos grandes palcos, existiram os bares.
E antes de "Eu Te Seguro", existiu uma longa sequência de tentativas, dificuldades e músicas que não necessariamente chegaram ao grande público.
Talvez seja justamente aí que esteja a explicação para o fenômeno.
Antes de Panda, existia o Jonathan Scarello Anjos.
Nascido em São Paulo, começou a se aproximar da música ainda criança. Aos 12 anos ganhou o primeiro violão do pai e começou a estudar o instrumento. Aos 14, já havia formado uma dupla.
Depois vieram outras tentativas.
Inclusive uma pausa.
Em determinado momento, Jonathan chegou a trabalhar vendendo tinta de moto enquanto continuava mantendo contato com a música. A vontade de cantar, porém, permaneceu.
Foi nesse caminho que surgiu o Panda.
O nome artístico veio do empresário Rafael Cabral, que procurava algo curto, fácil de lembrar e que tivesse relação com a personalidade e a imagem de Jonathan.
A princípio, ele não gostou muito.
Depois, abraçou o nome.
E hoje é difícil imaginar o sertanejo atual sem ele.
A faculdade do cantor
Existe uma frase de Panda que talvez explique melhor sua trajetória do que qualquer número.
Ao falar dos anos anteriores à fama, ele chama os bares de “a faculdade do cantor”.
Foram aproximadamente 16 anos de estrada, grande parte deles tocando em pequenos bares e botecos.
E existe algo importante nessa história.
O bar não oferece necessariamente milhares de pessoas cantando uma música conhecida.
Ele oferece outra coisa: repetição.
Você precisa aprender repertório. Precisa entender o público. Precisa cantar mesmo quando poucas pessoas estão prestando atenção. Precisa aprender a segurar uma noite inteira. Precisa errar, corrigir, improvisar e voltar no dia seguinte.
É uma escola que não entrega diploma. Entrega experiência.
E Panda passou muitos anos nessa escola.
O artista que pensou em desistir
A história fica ainda mais interessante quando se olha para o período imediatamente anterior à explosão.
Depois de se mudar para Goiânia em busca de espaço no mercado sertanejo, Panda passou por momentos bastante difíceis.
Em entrevista ao Gshow, contou que chegou a pensar em desistir todos os dias durante anos. Também relatou períodos em que ele e a família enfrentaram dificuldades financeiras severas, chegando a dormir no chão em Goiânia.
Sua esposa, Shirlen Wikina, teve papel importante nesse período, segundo o próprio cantor.
Ou seja: quando a carreira finalmente virou, não havia exatamente um artista começando.
Havia um artista que já tinha passado por mais de uma década de preparação.
Então veio “Baqueado”
A primeira grande virada nacional aconteceu com “Baqueado”, parceria com Ícaro & Gilmar, lançada no final de 2024.
A música colocou Panda no radar de um público muito maior e transformou o nome que até então era conhecido principalmente dentro do circuito sertanejo em uma aposta nacional.
Segundo levantamento publicado pela Tribuna de Minas, a faixa acumulava mais de 141 milhões de visualizações no YouTube.
Mas "Baqueado" ainda seria apenas o começo.
“Eu Te Seguro” mudou o tamanho da história
Em setembro de 2025, Panda lançou “Eu Te Seguro (Ao Vivo)”.
A música encontrou uma resposta ainda maior.
Segundo dados publicados em maio de 2026, a faixa já acumulava 186 milhões de streams no Spotify e mais de 133 milhões de visualizações no YouTube. Também havia permanecido por 43 semanas entre as músicas mais tocadas do Spotify Brasil e por 29 semanas na Billboard Hot 100.
Mas o número mais impressionante veio depois.
No primeiro semestre de 2026, “Eu Te Seguro (Ao Vivo)” foi a música mais ouvida do Brasil no levantamento da Pro-Música, que reúne dados das principais plataformas de streaming do país.
O sertanejo, que havia perdido espaço no topo do ranking nacional, voltou à primeira posição. E voltou justamente através de Panda.
O fenômeno não é só uma música
Talvez o aspecto mais impressionante da atual fase de Panda seja que o sucesso não ficou restrito a um único hit.
Em determinado momento de 2026, o cantor chegou a ocupar **três das cinco primeiras posições entre as músicas mais ouvidas do país**, com “Eu Te Seguro”, “Corpo Nu” e “Insegurança/Fim de Noite”.
Hoje, seu perfil no Spotify registra aproximadamente **14,7 milhões de ouvintes mensais**.
E a agenda também mudou de escala.
Em 2026, Panda passou a integrar todas as seis etapas do Circuito Sertanejo, além de chegar ao palco principal da Festa do Peão de Barretos.
A carreira que durante anos cabia dentro de um bar agora ocupa alguns dos maiores palcos do sertanejo brasileiro.
Você pode conferir uma parte desse sucesso na nossa playlist sertaneja que contém muitos sucessos do cantor.
Mas por que Panda?
Talvez essa seja a pergunta mais difícil.
Porque o mercado está cheio de cantores bons. Cheio de músicas bem produzidas. Cheio de artistas tentando viralizar.
Panda conseguiu encontrar uma combinação que o público reconheceu.
Existe a voz, fortemente associada ao sertanejo tradicional. Existem as releituras e a sofrência. Existe uma imagem simples e fácil de reconhecer. E existe uma maneira direta de conversar com o público.
Mas existe também uma coisa que nenhum planejamento de marketing consegue fabricar completamente: história.
Quando Panda canta sobre dificuldade, amor, bebida, relacionamento ou superação, existe uma trajetória real por trás daquele artista.
O público pode não conhecer os 16 anos anteriores.
Mas consegue sentir que eles existiram.
O sucesso parece rápido. A carreira não foi.
Essa talvez seja a principal lição da história de Panda.
Para quem olha apenas para 2025 ou 2026, parece que tudo aconteceu de repente.
Uma música viralizou... depois outra. Vieram os milhões de streams. Vieram os grandes shows. Vieram os rankings. Vieram Barretos e os grandes festivais.
Mas a carreira não começou quando "Baqueado" estourou.
Começou muitos anos antes. O sucesso nacional foi rápido. A preparação, não.
Essa diferença é importante para qualquer pessoa que esteja começando na música.
Quantas músicas precisam existir antes da música certa?
Essa é uma pergunta que não tem resposta.
Um artista pode passar dez anos trabalhando antes de encontrar a música que muda sua trajetória.
Pode lançar dezenas de músicas que não chegam ao grande público.
Pode tocar para 20 pessoas antes de tocar para 20 mil. Pode pensar em desistir. Pode mudar de cidade. Pode mudar de nome. Pode mudar de estratégia. E ainda assim continuar sendo o mesmo artista construindo experiência. Panda é um exemplo disso.
“Baqueado” não apagou os anos anteriores. “Eu Te Seguro” não criou do nada um cantor preparado para o sucesso. As músicas que vieram depois não começaram uma carreira.
Elas encontraram uma carreira que já estava sendo construída.
De onde vem o fenômeno?
Talvez o fenômeno Panda venha justamente dessa combinação.
De uma voz que encontrou o público. De músicas que encontraram o momento certo. De uma equipe que acreditou no artista. De um mercado que abriu espaço.
E, principalmente, de anos de trabalho que ninguém estava vendo.
O Brasil está vendo Panda agora. Mas Panda já estava cantando muito antes de o Brasil olhar para ele.
E essa talvez seja a parte mais importante de sua história.
Porque para quem está começando na música, a grande pergunta não deveria ser apenas:
“Quando eu vou estourar?”
Talvez seja:
“O que eu estou construindo enquanto ainda ninguém está olhando?”
A resposta pode estar no próximo show. Na próxima música. No próximo ensaio.
Ou simplesmente na experiência adquirida tocando mais uma vez naquele pequeno palco.
Afinal, se a carreira de Panda ensina alguma coisa, é que o fenômeno pode parecer repentino para o público, mas quase nunca é repentino para o artista.
Confira um pouco desse sucesso na nossa playlist sertaneja:



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